quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Devaneio Mental sonhador e amigo...

Mais um Devaneio Mental pedirá licença para todos...

A seção Devaneios Mentais tem seu retorno oficial neste momento, após um pouco mais de um mês de ausência. Como a participação no NaNoWriMo foi bem interessante (além de servir como aprendizado), minha pessoa volta à concentrar as atenções para este blog, o NETOIN! Mais!, que irá fazer o seu novo slogan...
~ o lar de todas as paixões... ~
A mascote oficial também já foi apresentada em oportunidade anterior (clique aqui para rever a chamada), sendo ela a Netotina, um ser da mesma raça do Netotin e do Netotus. Tal raça chama-se Wetoin e, muito em breve, maiores novidades acerca da Netotina aparecerão nesta casa. Aliás, ela será a responsável pela manutenção do Twitter oficial do blog, então suas cornetadas e seções de sarcasmo estarão presentes de forma fulminante.

Feitas as apresentações e citações, é o momento de fazer a chamada para este post, que conterá o nono Devaneio Mental deste humilde blogueiro. Se o anseio em ser escritor retornou com tudo cerca de três meses atrás, nada vem à ser mais natural do que as ideias serem devidamente colocadas em prática por aqui (e também em um projeto em conjunto, que aparecerá muito em breve).

Sinta-se convidado, neste momento, à apreciar uma história na qual uma jovem não possui muitas perspectivas sociais, possuindo uma vida reclusa aos seus sonhos e anseios enjaulados pelas circunstâncias atuais. Mas algo haverá de acontecer para que tal cenário mude. Confira isto e muito mais no conto "Sonhando com uma amizade".

Tenhas uma boa leitura.




#9 - Sonhando com uma amizade...

Momentos devem ser plenamente vividos...


Sonhar é algo tão belo e singelo quanto poder viver. É o direito que a pessoa tem de se imaginar em uma outra realidade, no universo próprio ou, quem sabe, até de prever acontecimentos futuros. Geralmente as crianças conseguem ter um tato simplesmente avassalador com os seus sonhos...

Que tal ser aquele herói que salvará alguém importante ou o mundo inteiro? Ou então, qual não seria a alegria em pensar que se está ao lado de seu personagem animado favorito? E como seria a sensação de criar uns mundos novos, próprios, totalmente do zero e modelado de acordo com a própria vontade?

Não há nada neste mundo que possa, enfaticamente, tirar tais pensamentos da cabeça de uma criança. Independente de qualquer coisa, a época das brincadeiras e do compromisso escolar inicial é, disparadamente, a que se deve tentar aproveitar da melhor forma possível, pois em caso contrário, a adolescência e a fase adulta é que acabarão pagando um alto preço...

Entretanto, uma pequena garotinha (com seus onze anos de idade) parecia estar sempre envolvida pelos próprios pensamentos. De alguma forma, seu olhar estava sempre fixado para algum ponto, direcionado ao “nada” na visão alheia. Não se permitia sorrir muito, embora sua convivência familiar fosse bem normal.

Erica era o nome desta jovenzinha. Ela estava cursando a sexta série ginasial e, desde épocas ainda mais remotas, seu convívio escolar jamais fôra marcado por grandes amizades ou por momentos de alegria entre colegas. Com seu comportamento aparentemente frio e distante dos olhares alheios, a Erica atraia falácias negativas quanto à sua pessoa.

Nada disto era proposital...

Ato #1 - Conhecendo a Erica...

Na verdade, a Erica gostava tanto de ler e de se imaginar nos mundos contidos em cada história terminada, que as demais crianças ao seu redor a viam com os outros olhos. A garotinha era taxada como estranha, esquisita, puxa-saco de professores e, doravante, até de alienígena por parte de algumas pessoas adeptas das conhecidas “brincadeiras de mau gosto”.

E não eram apenas os jovens rapazes que a importunavam. Até mesmo outras meninas a taxavam de tais coisas constantemente. A Erica não era uma aluna brilhante, mas sempre tirava notas acima da média da sala, o que já significava uma razão à mais para ser vítima de idéias erradas e injustas quanto à sua pessoa.

Sim, a Erica tentou por diversas vezes fazer amizades. Chegou a levar alguns colegas para casa, para a realização de trabalhos em grupo. Por mais que sua mãe sempre tenha recebido todos muito bem, inclusive oferecendo aquele lanche espetacular, a única coisa que fazia notar era um sinal de “falsidade” imperando entre os presentes na casa da Erica, pois sob os olhares da mãe dela, a tratavam bem. Para a Erica, tão logo a sua mãe saísse de perto, se fazia reinar o silêncio que era quebrado, às vezes, por tímido agradecimento com um semblante indiferente na face de cada colega.

Para alguém de onze anos, isto deveria ser a gota d’água para crer na amizade e em seus valores. Mas a Erica era diferente. Na verdade, ela chorava copiosamente sempre que podia, isolada no banheiro ou em seu pequeno quarto, pois não achava justo ser tratada daquela forma apenas por gostar de coisas que a maioria das crianças não gostam. Isto tinha um fundo de razão. Ainda assim, esta garotinha ainda conseguia seguir em frente com o seu modo de ser...

Os momentos de alegria da Erica se faziam presentes quando ela ia dormir. Era o momento de sonhar. Ela gostava muito de aventuras espaciais, e estava sempre se imaginando em um traje completo e moderno, fincando a bandeira da Terra em algum outro planeta, como Marte (por exemplo). Era simplesmente adorável ver a Erica sorrir enquanto dormia, pois se tinha a plena certeza de que, naquele momento, algo muito bom rondava a sua mente.

Os pais da Erica sabiam da dificuldade da filha em interagir com outras pessoas. Buscavam ajudá-la no que era possível. Mas entre as idas normais e os retornos tristes da escola, ver a sua filha sorrir ao dormir era considerado um prêmio pela insistência. Às vezes, a mãe da garotinha deixava algumas lágrimas rolar pelo seu rosto ao ver a filha, pois entendia a dificuldade da Erica, mas não via muito mais o que fazer, a não ser torcer pela pequena e sonhadora rebenta...

Na medida em que os sonhos da Erica a deixavam mais contente, crescia a necessidade na garota de contar para alguém sobre aquilo que tanto imaginava. Para ela, em seus onze anos de vida, aqueles pensamentos valiam muito e eram especiais. A própria garotinha, quando falava dos sonhos que tinha para seus pais, contava os mesmos de uma forma tão alegre e prazerosa que era notório o sorriso estampado nos rostos de seus progenitores. E a Erica sabia como relatar seus sonhos: sempre sorridente, apontando para lá e para cá, inclusive encenando alguns momentos e passagens de suas aventuras.

Infelizmente, ninguém na escola queria dar a mínima atenção para o que a Erica havia sonhado ou deixasse de fazê-lo. Afinal de contas, ela era uma “estranha” para a maioria esmagadora de seus colegas de classe. Não era difícil chamarem a Erica para conversar (no caso, os orientadores), dar dicas para ela e explicar o que poderia ser feito. Mas nunca houve um resultado positivo.

A Erica nunca chorou na frente dos outros na escola. E sempre se segurou para não fazê-lo. Buscava ser forte e persistente de toda e qualquer forma. Uma vez ou outra, na hora do recreio, a Erica contentava-se em soltar algumas lágrimas no banheiro da escola. Mas era incrível notar que, mesmo com todas as adversidades, a garotinha buscava continuar sorrindo para todos e tentando chamar, timidamente, a atenção.

Um dia, a Erica teve um sonho fascinante. Idealizou alguém com quem conversava na escola. Brincava com esta pessoa, falava de seus sonhos, estudavam e passeavam pelo bairro juntos. Mas esta pessoa não tinha rosto. A Erica não conseguia idealizar a face deste amigo imaginário. Entretanto, a garotinha queria muito crer de que tal sonho serviu de aviso para algo que estaria por acontecer...

Ato #2 - O prelúdio da mudança...

Passaram-se os dias...

A Erica teve o mesmo sonho com seu amigo imaginário, ao menos, umas três vezes. Neste meio tempo, a sua situação na escola não havia mudado em nada e seus pais já cogitavam, de forma precavida, mudar a filha para uma outra instituição de ensino. Não culpavam a escola onde a Erica estava pelo “estado social” dela com as demais crianças, mas os pais da garotinha queriam testar se, talvez, uma mudança de ares não faria um bem necessário para ela.

Em um certo dia, antes das atividades se iniciarem, o professor de Geografia (que ministraria a primeira aula do dia) comunicou para todos que um novo aluno entraria naquele momento na sala. Todos estranharam muito a notícia, ao passo que a Erica ficara com o seu olhar como de costume. Quando o jovenzinho foi chamado à sala, os cochichos começaram com o mesmo impacto de uma pedra sendo jogada em uma poça de água.

Renato era o nome do rapaz: doze anos de idade, cabelo bem raso, olhos claros e de pele mestiça. Sua família havia se mudado há poucos dias atrás e, após alguma dificuldade, o garoto acabou conseguindo ser matriculado naquela escola. O único lugar vago, por sinal, era na fila paralela onde estava a Erica, cuja cadeira ficava na mesma linha (horizontal) que a da garota.

A Erica havia dado uma olhada rápida em Renato voltando, na seqüência, a manter seu olhar fixo no caderno. O rapaz estranhava tudo na sala, afinal de contas era um novato ali. Dia após dia, notava-se que o Renato até conseguia ter um convívio legal com algumas pessoas, mas grande parte da sala falava muito pelas costas dele.

Como estava vindo de uma cidade interiorana, o Renato era taxado como pouco inteligente e um caipira fora do lugar. Mas as crianças que falavam isto procuravam fazê-lo às escondidas, fingindo uma amizade com o rapaz (que era muito bom nos esportes). A Erica sempre escutava tudo, pois o pessoal da sala falava do Renato com um tom de voz muito aguçado quando ele não estava presente.

Muitos dias se passaram e, em uma certa oportunidade, o Renato foi avistado bem triste e de cabeça baixa em um dos bancos do pátio. A Erica, que passava ali perto, observou a situação por algum tempo. Olhava fixamente para o garoto, imaginando-se em seu lugar, visto que tal pensamento não era difícil. Podia-se notar uma vontade crescente na Erica em querer se apresentar para o rapaz e, quem sabe, ver se talvez não fosse ele o seu “amigo imaginário” tão presente seus sonhos.

Mas a Erica não se apresentou para ele naquele dia. Ela preferiu a reflexão. Ao ver o Renato ali, sentado e de cabeça baixa, a garota começou a imaginar o que teria acontecido para que ele ficasse tão distante dos demais colegas de classe, tendo em vista que o mesmo ao menos era lembrado. A Erica não entendia, com os seus onze anos de idade, como era possível as pessoas agirem de forma tão egoísta com os demais por razões tão bobas.

Ato #3 - O caminho para a amizade...

Um dia comum na sala de aula...

Era o momento de separar as duplas para a realização de um trabalho. Com o número ímpar de alunos que havia, existia a possibilidade natural de ao menos um trio ser formado. Como a Erica não era muito bem vista pelos colegas, ela sempre acabava sozinha em tais divisões de duplas. Mas agora tinha o Renato, mas para a garota isto não representava muito, tendo em vista que o rapaz ao menos era reconhecido em algo. Entretanto, uma pequena surpresa aconteceu...

O Renato não foi escolhido por ninguém, para o espanto dele e da própria Erica. Não havia uma razão mais natural para isto do que a descrença dos presentes sobre os dois. Desta vez, a garota se fez aproximar do rapaz e lhe chamou para fazer o trabalho com ela. Para Renato, que já estava bem chateado, aquilo soou como uma grata surpresa. A resposta positiva se fez aparecer, mesmo com o rapaz tendo esboçado um semblante de desconfiança (com um tímido sorriso).

Os dois jovens marcaram de fazer o trabalho na biblioteca da escola, no dia seguinte. Seria um sábado, perfeito para a realização da tarefa. Ao chegar em sua casa, a Erica contou com felicidade para os seus pais sobre o que havia acontecido na escola. Na mente deles, finalmente a oportunidade de ver a sua filha ao lado de um amigo de verdade tinha aparecido.

Naquele sábado, a Erica e o Renato se fizeram presentes na biblioteca para a realização do trabalho escolar em dupla. Era sobre as Olimpíadas, e os dois escolheram falar das mascotes dos Jogos. A cada folheada nos livros sobre o tema, os dois jovens ficavam absortos por tanta informação sobre as mascotes e ficavam impressionados, mais ainda, com os desenhos dos mesmos. A Erica amou o urso Misha (de Moscou’1980), enquanto que o Renato vislumbrou-se com o cãozinho Coby (de Barcelona’1992). Durante a confecção do trabalho, conversas descontraídas faziam-se presentes, onde ambos soltavam tímidas (porém sinceras) risadas. Chegaram, inclusive, a rabiscar o que seria a mascote para Rio de Janeiro’2016 (para eles, uma arara ou um tucano seria a mascote ideal).

Com o trabalho finalizado, a Erica perguntou ao rapaz o porque de ele ter chorado sozinho naquele dia bem para trás, no pátio da escola. Renato contou que havia escutado uma conversa no banheiro, onde os rapazes comentavam que só o aturavam porque ele era muito bom de futebol. Neste momento, a Erica havia pensado justamente naquilo tudo que ela tinha vivenciado até ali, pois ela entendia bem deste tipo de solidão...

Com o passar dos dias, as conversas entre a Erica e o Renato foram aumentando. Os dois falavam muito no intervalo das aulas, um pouco em sala na escola, caminhavam juntos para ir embora (parte do caminho era a mesma) e até já haviam visitado as casa um do outro. Para a Erica, ter conhecido o Renato era algo muito bom. Para o rapaz, ter feito uma amizade na capital com alguém legal foi ótimo.

Ato #4 - Sortilégios de uma realidade cruel...

Ainda assim, a Erica não deixava de ter os seus sonhos à noite...

Em um certo dia, a Erica estava conversando com o Renato quando lhe veio à cabeça a idéia de lhe falar sobre seus sonhos. O rapaz aceitou ouviu a amiga, que falou sobre cavaleiros e viajantes na Idade Média, na época em que o mundo era preto e branco (até aonde pode ir a inocência de uma criança) e onde os rapazes lutavam para defender os reinos e as moças do perigo. Como a conversa estava se desenrolando em sala de aula, logo apareceram os comentários maldosos, do naipe daqueles que estragam um momento festivo e inocente. Frases entoando um namoro entre os dois eram ditas com muita vontade, por parte de alguns alunos da sala. Como a Erica e o Renato não ligaram, alguns destes alunos ficaram bravos.

Um destes colegas mais “estourados” acabou partindo para cima do Renato, como quem exigia uma satisfação. Apesar do rapaz pedir para ser deixado em paz, o tal colega acabou empurrando-o para fora da cadeira, fazendo com que Renato caísse no chão. Extremamente chateado e nervoso, o Renato se levantou e acabou empurrando com muita força o tal aluno brigão, que acabou machucando-se seriamente na quina de uma das carteiras da sala. A Erica olhava abismada para tudo e resolveu interfirir, ficando à frente de seu amigo e pedindo para os dois pararem. Parecia que tudo havia se resolvido ali, naquele instante.

No dia seguinte, um sábado, o Renato estava contando para a Erica que estava com medo do que poderia acontecer, pois seus pais eram bem severos nesta questão de desentendimentos e brigas. A Erica dizia que não queria perder a amizade dele, pois dificilmente ela teria um outro amigo ou amiga naquela sala de aula, naquele lugar.

Durante o pequeno passeio dos dois, naquela manhã de sábado com um clima muito legal e convidativo, a Erica falou de mais um sonho. Neste sonho, ela era uma importante médica e havia descoberto as curas de todas as doenças. O Renato se espantou, chegando a dizer que, a partir dali, a Erica seria uma heroína para ele. A garota ficou vermelha e um pouco assustada, chegando a perguntar o porque disto para o rapaz, que prontamente lhe respondeu com delicado beijo no rosto e dizendo que ela, Erica, era a melhor amiga que ele tinha no mundo inteiro. A garotinha disse a mesma coisa para o rapaz e, com as mãos dadas, os dois caminharam para as suas casas naquela doce manhã de sábado...

Ato #5 - Os anseios de uma nova vida...

A mentalidade de uma criança e sua inocência jamais deveria ser perdida... Jamais...

Estranhamente, o rapaz não apareceu na aula por três dias seguidos. A Erica mostrava-se um tanto quanto preocupada, pois sentia falta de seu único e verdadeiro amigo ali, naquele lugar. Duas jovens chegaram até ela, com expressões delicadas e tímidas, perguntando à Erica se ela sabia onde estava o Renato. Após receber a resposta de “não sei”, elas pediram desculpas para a Erica por toda a forma com a qual haviam tratado ela por tanto tempo...

A pequena Erica espantou-se. As meninas disseram que, após ver com ela e o Renato se davam tão bem, entenderam que tudo aquilo que era dito sobre ela era uma mentira muito grande e que, na verdade, a Erica poderia ser uma pessoa bem legal. A garota olhou fixamente para ambas e agradeceu timidamente, com um sorriso sendo timidamente exposto. As duas se apresentaram como Camila e Pâmela dizendo que, dali em diante, iriam conversar muito mais com a Erica, o que deixou a garota muito feliz.

Curiosa para saber o que havia acontecido com o Renato, a Erica havia ido até a secretária da escola para perguntar sobre isto. A resposta que recebeu não foi animadora. A moça que ali trabalha havia dito para a Erica que, há cerca de uma hora antes dela ali aparecer, o Renato e seus pais haviam aparecido na escola. O motivo era para solicitar transferência, pois graças ao trabalho do pai do garoto, ele teria que se mudar de cidade novamente. A Erica mostrou um semblante desanimador e, com os olhos vermelhos, voltou para a sala de aula.

Com o término da aula, a Camila e a Pâmela foram se despedir da Erica. Ela, por sua vez, também se despediu e começou a andar até a casa do Renato, que ficava antes da casa dela. Quando chegou lá, tudo que a Erica viu foi um caminhão terminando de ser carregado e o pai do Renato dando uns retoques no carro, provavelmente para assegurar uma boa viagem até a nova casa, em outra cidade. Extremamente sem jeito e tímida, a Erica chegou até o pai do Renato e, começando a chorar, perguntou porque iriam se mudar.

O pai do garoto agachou-se e, com um semblante sério, levou a sua mão para um dos olhos da Erica, na idéia de parar as suas lágrimas. Ele havia dito que o trabalho havia promovido ele, mas que para isso era necessário mudar para uma outra cidade, bem longe dali. A Erica chorou muito, sentida em perder o seu melhor amigo. O pai de Renato disse que ele estava ali perto na pracinha, sentado no balanço, aguardando a hora de ir embora. A Erica agradeceu (ao modo dela) e foi até a pracinha.

O Renato estava lá, de cabeça baixa e soluçando, possivelmente de tanto ter chorado. A Erica chegou e cumprimentou o amigo que, muito triste, não conseguiu olhar para ela. Mas o Renato estendeu a mão para a sua amiga, que retribuiu o gesto. Os dois ficaram ali, minutos a fio, sem nada a dizer um para o outro. Até que o Renato resolveu falar que não teve coragem de dizer nada para a Erica, pois iria deixá-la triste muito cedo...

A Erica, com o seu olhar fixo e toda a sua inocência, virou-se para o Renato e, erguendo o rosto dele, lhe deu um suave e delicado beijo no rosto. Ainda segurando a mão do rapaz e chorando um tanto, a garotinha dizia estar muito feliz em tê-lo conhecido, e que jamais se esqueceria dele, nunca. Os dois se abraçaram e choraram muito.

Durante tal cena, a mãe do Renato chegou para levar seu filho até o carro. Estava na hora de ir embora. As duas crianças lançaram votos de amizade eterna e, batendo suavemente a testa de um no outro, abraçaram-se uma vez mais e se despediram. O tchau dado com sentimento pela Erica foi o símbolo de um momento para a vida da garota...

Os dias se passaram...

A Erica estava caminhando com a Pâmela e a Camila, após mais um dia de aulas. As três falavam de seus sonhos. Uma falava ter ido para um mundo onde reinavam os doces, que todo o dia era dia de comer guloseimas. A outra, mais séria, dizia ter sonhado com o diploma de faculdade de engenharia. A Erica teve um outro sonho e, para as suas amigas, contou ter visto uma vez mais aquele “amigo imaginário” e que, um dia, eles iriam se reencontrar...

E sempre que falava neste amigo de seus sonhos, que agora tinha um rosto, a Erica sorria verdadeiramente. E que se faça reinar a inocência e a felicidade de uma criança...


~ fin ~

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- NETOIN! Mais! -

3 comentários:

  1. Carlírio, meu amigo!

    Belo texto, lindo a seu modo. No quarto ato Erica começou a contar sonhos para Renato e, assim, imaginei que eles fossem ter uma relação com uma mensagem maior. Têm? Uma boa ideia?

    Sim, é um texto totalmente imaginativo e sonhador, onde a ideia é fazer a inocência de uma criança ser eterna. Algo interessante. Contudo, existem os dois lados da moeda. Crescer é algo muito importante. Descobrir e entender o mundo real é essencial para viver, uma vez que, com o mundo do jeito que vemos hoje, é difícil e não seria qualquer uma que poderia viver apenas sonhando.

    Do mesmo modo, eu aprecio ver uma pessoa rindo ou brincando com a vida, no bom sentido. Assim como a Erica levar esse amigo para sempre é algo bonito, trancar-se no passado também não é o mais saudável. Há pessoas que não conseguem esquecer o que um dia aconteceu com elas, mas apenas por motivos de culpa e derivados.

    Não digo que o certo seja esquecer o passado. Não, deve-se aprender com ele e resgatar o que for útil e bom dele. Ainda assim, talvez Erica não consiga mais ver Renato e precise, um dia, conhecer pessoas novas e fazer coisas por sua vida, mesmo para sobreviver. Ou ela ficará dormindo para sempre, sonhando, e vivendo às custas dos pais? Erica precisa de uma essência de sua criança interior, algo que geralmente não sai das pessoas.

    Enfim, meu comentário ficou confuso mas compreensível, acredito. O fato é ver este conto como um ponto necessário para analisar modos de viver. Porém não usá-lo como base para isso.

    Parabéns pelo texto. É uma boa leitura! Abracin~

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  2. Olá Carlírio!

    Gostei muito do texto, concordo com o amigo Caetano acima. Foi um ótimo texto para se ler, e refletir as atitudes tão sinceras e incriveis de uma criança pura.

    Posso dizer que tive até momentos em que me senti emocionado e envolvido com o texto. Enfim, gostei muito de ter lido.

    Meus parabéns amigo! E que continue a nos trazer textos refletivos de ótima qualidade como este, de tão grande valor. Abraço!

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  3. saudações


    Muito me alegra receber tais comentários, amigos.^^

    Cássio, a Erica já está no meu hall de personagens que serão trabalhados, e fico muito contente em notar que tu pegaste "a essência" desta história.

    Vinicius, aparecerão muito mais obras por aqui e no famoso projeto, do qual faço parte. Anseio por muita coisa daqui em diante, e sou grato por vossas palavras.


    Até mais!

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