domingo, 23 de setembro de 2012

O fim dos devaneios no supermercado...


Como tem passado, caro visitante? O NETOIN! Mais! regressa com a seção Devaneios Mentais para dar o devido ponto final à saga da jovem Angelina, que é operadora de caixa em uma grande rede supermercadista. A moça está atrás da realização de um sonho muito antigo e importante para ela...

Entretanto, a Angelina tem notado que nem tudo são flores. Ela tem notado que existem pedras em seus caminho e que a sua responsabilidade não é, necessariamente, bem vista por todos no lugar onde trabalha. Um boato está para colocar em risco o seu emprego, e a jovem não está em posição de deixar tal oportunidade escapar...

O que acontecerá à Angelina? Haverá um prosseguimento de carreira para ela no supermercado? São tantas incógnitas, tantas coisas que passam à mente neste momento, que o mais indicado à se fazer é que leias o texto abaixo e, logo após, comente sobre este final.

Tenha uma boa leitura e até o próximo texto desta seção, amigo visitante.

#3 - A felicidade clama para ser encontrada!

A saga da operadora de caixa que possui um grande sonho!


Com uma larga experiência no ramo, o gerente do supermercado já havia visto inúmeras situações parecidas com esta que estava ocorrendo com a Angelina. Ao adentrar no RH, ele notou a supervisora da frente de caixa extremamente irritada, não conseguindo conter a sua emoção. Ele viu a responsável pela sala totalmente indiferente, fazendo com que passasse à ponderar muito sobre o cenário em questão. Por fim, o gerente olhou para o fiscal de caixa e para a Angelina. A moça estava com os olhos vermelhos, expressivamente tristes e apontados para "o nada". O rapaz, sentado ao lado dela, mostrava um semblante nervoso, que misturava seus sentimentos quanto à incerteza do que iria ali ocorrer e à preocupação quanto a manutenção não apenas de seu vínculo empregatício, como também o da jovem Angelina.

Após cumprimentar adequadamente os presentes na sala, o gerente mandou a supervisora acalmar-se. Para ele, aquele nervosismo de nada valeria e servia como atestado de cumplicidade do caso. sem entender o que se passava, a supervisora questionou friamente seu superior imediato, fazendo com que este a culpasse pelo que estava ocorrendo. Afinal de contas, o boato tinha adquirido tanta força que até mesmo o gerente já estava à par dele. Ele questionou severamente a supervisora, no intuito de saber o porque dela não ter agido como e quando deveria para prevenir a proliferação de tamanha injúria aos seus dois subordinados.

Foi o instante no qual prevaleceu a quietude. A jovem Angelina olhava fixamente para a supervisora e para o gerente, como quem estava confusa e totalmente fora de sintonia com as palavras ali entoadas pelo responsável do lugar onde trabalha. A chefe do RH preferiu ficar quieta, pois já tinha breve noção de que iria sobrar alguma coisa para ela. Mas o foco estava na reação da supervisora que, incrédula, não aceitava as palavras de seu gerente. Graças à isto, o senhor pediu para a Angelina falar o que sentia, sobre aquilo que estava acontecendo.

Angelina, em sua primeira aventura na carreira profissional de sua vida, jamais imaginou ter que passar por tal situação. Queria chorar, mas conseguiu se controlar um pouco. Ao menos, o suficiente para falar ao seu gerente "o todo" que estava ali acontecendo. Para a jovem sonhadora, tudo ali não passou de um grande mal entendido, pois ela não tinha namorado e nem tão pouco estava procurando por um. Na verdade, ela começou uma grande sessão de pedidos de desculpas naquele instante, pois se sentia culpada por tudo aquilo. Neste meio tempo, o rapaz tomou-lhe a palavra e disse para o gerente que tudo provinha de um boato mal intencionado, pregado e distribuído por algumas operadoras de caixa que não aceitavam o rápido e saudável desenvolvimento da Angelina em sua rotina diária.

Tendo ciência dos boatos, o gerente da loja pediu alguns nomes para o fiscal. Após tê-los, mandou a chefe do RH chamar pelas duas moças citadas anteriormente pelo rapaz. Quando elas chegaram, o cenário já não era muito favorável à mais mentiras. Acredite, as duas jovens notaram isso só de olhar para o gerente. A razão para se espalhar tal boato, segundo as palavras delas, foi por pura diversão e nada mais. algo similar à definição da expressão "ver o circo pegar fogo". A severidade do gerente para o caso foi maior do que se podia imaginar, pois até mesmo a Angelina e o fiscal receberam uma punição, muito embora extremamente menor do que as desferidas para a supervisora da frente de caixa e para as duas moças que criaram o desastroso boato.

Uma advertência verbal coube para a Angelina e para o fiscal, pois não se precaveram sobre aonde conversar e como fazer o ato, uma vez que o boato fixava-se em seus nomes e que qualquer atitude suspeita poderia, sim, validar a mentira. Para a supervisora coube uma advertência escrita, por sua falta de tato profissional e responsabilidade para com a sua equipe, no intuito de resolver todo este imbróglio sem ter que recorrer à pessoa do gerente da loja. E as duas colegas de Angelina, que já tinham antecedentes negativos quanto às suas condutas, receberam naquele instante uma punição ainda mais severa, pois todo o histórico delas fora colocado em xeque naquele mesmo instante.

Angelina passou à gozar de uma paz espiritual momentânea, em razão de todo aquele problema ter finalizado. O rapaz continuou em seu ritmo de trabalho costumeiro. E o gerente saiu estressado da sala naquele dia pois, com tanta coisa por fazer (desde atender à reclamações de clientes ate a tratar de pendências com o pessoal que entrega as mercadorias para a loja) ele esperava que a supervisora do setor e a chefe do RH tomassem as rédias da situação sozinhas, sem necessitar de sua interferência. Caso contrário, o gerente ponderava o porque de ter um líder no setor se este não sabia lidar com certas situações...

Passaram-se sete dias desde o desfecho da questão do boato, mas a Angelina permanecia com a sua angústia...

Na verdade, a jovem tinha fortes razões para assim estar. Após aquele dia, ela "quebrou o caixa" (ou seja, deixou faltar valores na contabilidade final do seu turno de trabalho) uma vez e recebeu uma severa reclamação de uma cliente da loja, alegando que a moça trabalhava cabisbaixa por não ter a mínima vontade de ali continuar. Esta cliente, por sinal, não havia se contentado em fazer uma reclamação verbal: mandou um e-mail para o SAC (Serviço de Atendimento ao Cliente) da rede supermercadista (alegando ter sido desrespeitada pela Angelina, que não deu sequer um "bom-dia" para ela no dia). Prontamente, este e-mail já estava sob o conhecimento do gerente da loja e do departamento de RH.

Duas coisas passaram a atormentar a Angelina com o passar dos dias: a sensação de que perderia o emprego à qualquer instante e, ainda por cima, aquele sentimento crescente de fracasso preso em sua mente e em seu coração. A garota estava abalada emocionalmente, não mais conseguia encontrar o seu caminho tão duramente trilhado. Pensava nos dois primeiros meses naquele supermercado, período no qual ela aprendeu a função de operadora de caixa, começou a se desenvolver na profissão e conquistara tantos elogios de clientes e também de colegas de trabalho. Sofrer em grande baque destes, logo no primeiro emprego, seria o mesmo que selar toda a sua confiança por um bom período de tempo.

Angelina transpirava inocência por todos os poros possíveis e imagináveis dela. Ela imaginava as coisas mais absurdas em sua mente. Na comodidade de seu lar, a moça se via à chorar sem ao menos notar. Quando percebia, já estava devidamente encharcada pelas suas próprias lágrimas. Seus pais estavam visivelmente preocupados com a filha única que tinham, mas podiam apenas confortar a Angelina e dar à ela preciosos conselhos. A jovem precisava entender que, caso fosse demitida em seu período de experiência, aquilo não iria significar o fim do mundo e que ela poderia ir atrás de uma nova colocação no mercado de trabalho.

Entretanto, para a Angelina, o futuro era tão incerto quanto se fazia pressupor...

O último dia de folga antes do término da experiência: Angelina acordara em seu horário habitual, por volta das oito da manhã. Era uma sexta-feira de manhã nublada, porém com um clima agradável e convidativo para se passear. A moça guardava consigo tantas incertezas, tantas dúvidas, que já cogitava faltar ao trabalho no final de semana, tamanho era o seu medo de encarar o dia no qual a experiência de noventa dias terminaria. Sim, trabalhar aos sábados, domingos e feriados fazia parte de sua intensa rotina de trabalho, tal como ocorre com a maioria das pessoas que laboram neste ramo. Ela queria ali continuar, gostava do lugar, criou um vínculo pessoal com o supermercado. Mas estava aflita...

Resolveu andar pelo bairro. Para ela, talvez uma caminhada ajudasse à colocar as ideias no devido lugar. Buscava concentração e espiritualidade. Enquanto caminhava, acabou sendo parada por uma senhora de idade. Esta velinha dizia se lembrar de Angelina, lá do supermercado. Mas a moça não conseguia se recordar desta senhora. Algo bastante normal, uma vez que a Angelina atendia á tantas pessoas todos os dias que era difícil se recordar de cada rosto, cada nome, cada momento em particular. Um período de conversação ali iniciou-se...

A senhora, que morava com seu marido de igual faixa etária, dizia que o supermercado em que Angelina trabalhava era muito caro. Mas ia até lá por uma única razão: o atendimento que alguns funcionários ali prestavam para ela. E entre tais pessoas, o nome da Angelina figurava forte na mente desta senhora. Sem entrar em muitos detalhes, a moça contou apenas o básico sobre a sua situação. Entretanto, este básico foi o suficiente para fazer com que esta senhora segurasse na mão da garota (da mesma forma que uma mãe segura a de um filho quando no ato de uma conversa séria) e dissesse à ela, com todas as letras, que ela tinha de ser forte e passar por esta provação. Para a simpática velinha, vencer as dificuldades e aprender com as derrotas é um espaço enorme para a maturidade total.

As palavras entoadas por esta senhora foram fortes o bastante para fazer Angelina cair em prantos. Mas, diferentemente dos últimos dias, eram lágrimas de alegria. A moça chorava de contentamento, pois estava começando a entender o como que gira o mundo. A despedida de ambas foi com um abraço caloroso. Pode-se aqui fazer uma comparação saudável com um casal de namorados, quando se abraçam com vontade e ternura sentimental. A senhora caminhava rua abaixo e a Angelina ficou observando-a, de longe, por cerca de três minutos. Para a jovem, as palavras para ela ditas por aquela pessoa lhe deram a coragem necessária para encarar o dia que estava por vir...

Sábado. Duas horas da tarde. Início do turno da Angelina no supermercado.

Após uma hora de trabalho, a jovem é chamada ao RH. Alguns colegas de trabalho haviam adiantado, para ela, que era muito fácil de se saber quando alguém passaria na experiência ou não. Basicamente, se a pessoa não era chamada ao RH é porque haveria passado na experiência. Entretanto, se tivesse que ir até lá, era sinal de que sua história naquele supermercado teria se encerrado por completo. Mesmo com tais informações em mente (que não deixam de ter um fundo de verdade) a Angelina seguiu firme até a sala.

No RH estavam a chefe do setor e o gerente da loja. Nas mãos da responsável pela sala, dois papéis que visivelmente clamavam por uma assinatura. No olhar do gerente estava a seriedade, conhecida fazia algum tempo pela Angelina. Começara a conversa, que acabou não sendo nem tão longa e nem tão curta. O gerente da loja tinha sido sucinto o bastante com Angelina, dizendo a ela que o e-mail recebido dias atrás (com a reclamação já conhecida) poderia realmente ter sido determinante na reprovação da moça em sua experiência. Entretanto, Angelina havia sido aprovada e estava efetivada no supermercado.

Uma seção de "comos" e "porquês" começou por parte da jovem, que não conseguia se conter. Queria derrubar algumas lágrimas, mas preferiu deixar as mesmas retidas nos olhos, forçando uma ação contra a vontade natural de seu corpo. Nas palavras da chefe do RH, seu bom histórico de atendimento, alinhado à vários elogios e a boa conduta foram determinantes na decisão final, por parte da empresa. Angelina sentia-se liberta, contente. Voltou à colocar em prática o seu anseio, que a acompanha desde épocas em que brincava de mamãe com as suas bonequinhas. Angelina voltou à sorrir.

Passado um ano, Angelina está ainda como operadora de caixa, mas está treinando para assumir uma nova posição no supermercado, como auxiliar da tesouraria. Estes doze meses mostraram muita coisa para a jovem e sonhadora Angelina. Um período de transformações em sua mentalidade, no seu modo de ser, de agir e de viver. Estava fazendo o cursinho pré-vestibular de que tanto precisava, os dias eram apertados e corridos pois a rotina diária no comércio é simplesmente inapelável neste sentido...

Mas a Angelina havia resgatado o seu direito de seguir em frente, de sonhar. O futuro passou à ela pertencer...

- fim -

Comentários do autor do conto, Carlírio Neto

A personagem Angelina veio de uma inspiração direta com o meu ramo de atuação profissional neste momento. Lhe dar com pessoas não é uma tarefa simples e exige muita perspicácia e atenção, em cada ação tomada e em cada palavra entoada. Angelina foi a protagonista de uma história que pode ser vivida por qualquer pessoa, pois a realidade bate à porta fortemente.

Gostaria sim que todos os líderes fossem como o gerente deste conto, independente do ramo de trabalho ou da posição social que o mesmo possa ostentar. Adoraria saber que existem ainda mais pessoas que tivessem, em si, a hombridade e a humildade de agir da mesma forna que a senhora deste conto, que tanto ajudou a protagonista com as suas sábias palavras...

Fica uma lição de moral aqui demonstrada? Nem de longe é esta a intenção. O que existe, no seu esplendor, é uma história de ficção que abraça timidamente a realidade.

No anseio que tenhas gostado desta história, e lhe fazendo um prévio convite para as próximas que estão por vir, despeço-me.


Cordialmente:
Carlírio Gomes dos Santos Neto

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