quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Devaneios Mentais à vista...

O início de uma nova era se inicia agora...
Seja bem-vindo ao NETOIN! Mais!.

Depois de muito tempo pensando sobre como se daria o retorno total das atividades do blog, tal como registrado no post anterior (acesse-o aqui), é chegada a hora do retorno. Uma vez que este blog continuará à apresentar textos sobre esportes, informática e afins, o módulo principal de atuação será este, à ser apresentado neste momento para você.

Trata-se da seção Devaneios Mentais. Apesar da nomenclatura sugerir algo perverso, doentio ou até incógnito, a mesma apresentará textos puramente pessoais. O objetivo aqui é de resgatar velhos anseios que, durante muitos anos, ficaram presos à mente de minha pessoa e que jamais foram colocados para fora.

De certo, não saberei aqui dizer se uma pequena série está a caminho. Julgo ser muito cedo para isso. É preferível mencionar que aqueles textos, ideias e coisas que estavam trancafiadas dentro do meu ego pessoal finalmente acharam um motivo para sair e aparecer, para todos. No caso, o NETOIN! Mais! será a casa perfeita para tamanho retorno.

Por isto, fique à vontade. Aprecie este texto inaugural da seção Devaneios Mentais e deixe seu comentário (com uma crítica, elogio, sugestão). Caso prefira, mande um e-mail para [linux1996@gmail.com]. Tenha uma boa leitura.

#1 - Uma noite na Rua das Flores 

Uma pequena crônica sobre visões, pensamentos e ideias...

 

Era uma noite de sexta-feira, de uma semana corriqueira e comum. Um caminhar pelo centro de Curitiba, após o trabalho, era a melhor saída daquele momento para diminuir o stress, bem como para refrescar as ideias e tentar conciliar pensamentos. Devaneios mentais, vindos diretamente de um difícil e tortuoso dia no trabalho, me faziam sugerir que um breve descanso era muito mais do que necessário.

Mas, como descansar em uma área urbana, na qual mais de um milhão e setecentas mil pessoas vivem e trafegam, em um repertório quase único de idas e vindas por parte de mais de um milhão e quinhentas mil pessoas? Isso para não falar dos buzinaços, das porradas nas paredes, nas obras em vias públicas, gritarias e histeria em geral. Como descansar a mente em um ambiente que, mesmo à noite, não parece nada convidativo para a ação tão duramente premeditada?

O calçadão da rua XV de Novembro, popularmente conhecido como Rua das Flores, talvez seja a resposta para tal dúvida. Mesmo às sete horas da noite, a movimentação de pessoas era um tanto quanto constante. Isto deixava dúvidas sob minha cabeça. Ainda assim, o risco foi prontamente assumido, seguido por um suspiro que me fazia sugerir relaxamento ou um breve alívio...
 
Sentei-me em um banco próximo à área da Boca Maldita, onde os cafés em pequenas xícaras são vendidos ao mesmo valor de um refrigerante de marca conhecida, com 300ml de conteúdo. Em outras palavras: são muito caros. Por sorte a vontade de se tomar um café era tão nula quanto daquele banco me levantar, dado o grande cansaço que naquele momento sentia. Por um instante, tudo que a minha pessoa fazia era ver o ir e vir das pessoas à minha frente, no mesmo embalo e encalço de quem está desprovido do senso de direção, quase que andando em círculos...

Após alguns minutos de tal tarefa tão simplória e entediante, o celular foi retirado do bolso para algumas músicas escutar e a internet poder acessar. A internet via celular, às vezes surpreendente pela rápida velocidade e, em outras oportunidades, angustiante pela demora em sua conexão. Ainda assim, acessar uma certa rede social neste celular me rendia algumas boas risadas, graças ao nível das coisas que ali se lia e aos devaneios que a mesma provocava em minha mente, tão distraída e desatenta quanto o meu semblante facial fazia presumir.

Em um momento de leitura do que estava à minha frente naquela rede social e de sublime sintonia musical, graças ao fundo proporcionado pelas canções que atendem pelo gênero newage, houve uma interrupção. A mesma se deu pela chegada de uma mensagem ao número do aparelho celular. Esperava-se alguém do trabalho mandando piadas certeiras ou solicitações de serviço para a próxima semana. Um ledo engano de minha pessoa ali acabou por acontecer...

Tratava-se de um spam da operadora de telefonia celular em uso. Um sorriso espontâneo e tímido logo converteu-se em uma expressão de desânimo, acentuada por um bocejo intimidador e aguçado. Voltava minha pessoa para as músicas e para a rede social. Estando prestes à deixar o banco e seguir o caminho adiante (sentido rua acima) surgiu, no banco ao lado, um casal que acabou sentando-se para conversar.

Um casal provavelmente já estabelecido, embora fosse visível uma diferença de idade entre as duas pessoas. Em uma concepção apenas visual, dava-se 36 anos para ele e cerca de 29 anos para ela. E a conversa deles, com aqueles anéis reluzindo em seus dedos e atestando o enlace entre eles vivido, era de grande fascínio para alguém que ali perto estava a escutar, pois estas duas pessoas falavam com um timbre de voz ligeiramente alto, sem querer nada esconder para ninguém. Falavam sobre o primeiro filho, cujo planejamento era para dali um ano. Entre outras coisas entraram em pauta o enxoval de roupas e a cor do quarto da criança, como quem tinha absoluta certeza sobre o sexo daquele pequeno ser à ser planejado: uma mocinha, o ideal para aquele casal.

Eram apenas planos, porém extremamente concisos. Nada que fugisse a realidade possível e nem que estagnasse a vida deles por um erro de planejamento, se é que se pode falar assim daquele momento tão especial para aquele casal. Eles saíram dali, minutos após a conversa ter finalizado, caminhando para o sentido oposto ao qual eu iria andar. Toda aquela troca de ideias soou como sendo muito fascinante para a minha pessoa, ao ponto de chegar à me fazer rever alguns conceitos sobre a questão de constituir uma família própria. Ao caminhar no sentido oposto daquele casal, escutando as músicas que me agradam, pude pensar em muitas coisas. Minha cabeça e minha mente sentiam estar em um estado de puro fulgor emocional, graças à tão singela e cativante demonstração de amor e de respeito mútuo vista instantes atrás.

Infelizmente, a cena que presenciaria mais à frente seria um verdadeiro teste durante aquele caminhar que, por sinal, deixaria de ser sublime em sua plenitude. Mais um casal à vista, mas em uma situação totalmente oposta aos enamorados conversando minutos atrás. Uma mulher e um homem mostrando o dedo um na face do outro, berrando, gesticulando e agindo como se fossem duas crianças da primeira série fundamental que discutiam por um doce qualquer. De certa forma eram mais jovens que o casal anterior, no qual daria uma idade aproximada em 21 anos para ela e 25 anos para ele. A forma como tudo ocorria, naquele momento, inspirava a desordem e a baderna.

Parecia que estava em jogo, naquele lugar e com aquelas palavras (tão carregadas de ódio, tristeza e rancor) a infidelidade por parte de um dos dois. Poderia até estar estranhando o que ali ocorria, se não fosse o fato de que a infidelidade tem se tornado algo cada vez mais habitual nos últimos tempos. O meu sentimento interno passou à transitar entre as duas pontas mais do que reais de um relacionamento pessoal. O fundo musical propiciado naquele instante, através de meu aparelho celular, em muito auxiliava na compreensão de minhas ideias que, naquele instante, estavam mais caóticas que o trânsito em "horário de pico" na Avenida Visconde de Guarapuava...

Minha pessoa, que pouco entende das belezas e das tristezas que o amor pode proporcionar, começou à rever alguns conceitos. Até que ponto o sentimento pode ser considerado verdadeiro? Onde que realmente pode acontecer do relacionamento sofrer um tipo de "baque" e, em consequência disto, ruir? E por quê há quem consegue experimentar um relacionamento honesto sem fazer grande alarde sobre o mesmo, ou seja, com sentimentos verdadeiros? Dúvidas que pairaram sobre uma cabeça que apenas buscava o relaxamento.

Isso não é um crime. Foi interessante até certo ponto. O ser humano é alguém que carece de atenção e anseia pela mesma mas que, às vezes, toma as decisões erradas e fúteis no sentido de atingir tal objetivo. Provavelmente, o erro esteja aí...

Mas já estava ficando tarde. Sendo assim, chegar até em casa era preciso. Seguir em direção até o local onde pegaria o ônibus acabou resultando em uma caminhada mais rápida que o habitual, isto após ter presenciado (mesmo que à certa distância) a cena do segundo casal. Já no local adequado, no aguardo do transporte público, continuei à ponderar sobre as duas cenas vistas em questão de poucos minutos. Acabei por assimilar tudo isto à uma clássica gangorra de pracinha onde, nos saudosos oito anos de idade, pude brincar nela ao ir para cima e para baixo, dependendo unicamente do peso de cada lado do brinquedo.Um pensamento destes oriundo de uma tentativa para se acalmar após o trabalho...

Eis que, finalmente, o ônibus chegara ao ponto. Naquele horário o mesmo não era cheio, o que favorecia na possibilidade de poder ficar acomodado em algum banco do mesmo. Assim seguiu, de certa forma, até em casa chegar, um banho tomar, com um bom chá quente para se deliciar e o computador à ligar.

Alguma coisa para se aprender naquela noite? Muitas, na verdade. Mas o espaço para tais verdades está reservado para um outro momento, em outro devaneio mental. Pelo menos, até que se possa assim tudo definir...

- NETOIN! Mais! -

Comunique-se por: Twitter / E-mail

4 comentários:

  1. Caro Carlírio... Você deveria escrever um livro.

    Texto muito bom, embora muitas pessoas possam vir a abandoná-lo no terceiro parágrafo, visto a conceitualidade pessoal abrangida em tal. Como se trata de um pequeno "conto", pode se dizer que esta leitura é muito agradável e faz o blog merecer mais destas palavras. Essa temática é realmente muito boa. E ainda faz com que seja interessante sabermos da simples vida de alguém, mesmo eu, que não conheço sua pessoa.

    Se há apelo de ego contido em um texto como esse, não é um fato muito importante. Ao mesmo tempo que vai ser bom pra vc, já que estará escrevendo sobre algo 'fácil', que é sobre sua vida, algo que só você pode contar com detalhes; também podemos levar como a história de um personagem ficcional, dando um certo primor ao texto. Que já é meio 'fantasioso' graças ao jeito de contá-lo. Enfim, parabéns pelo texto. Apoio a ideia desta 'série'! ^^

    ResponderExcluir
  2. Saudações

    Sou imensamente agradecido por tais palavras. À bem da verdade, uma longa e oportuna conversa com uma pessoa da nossa blogosfera, cheia de ideias e muito afim de levar as mesmas adiante, é que me encorajaram a reerguer velhos projetos de minha parte.

    O texto que leste foi feito recentemente, cerca de dois dias atrás. O mesmo passou pela visão desta pessoa, que apontou-me os pontos de melhora (o mais grave: muitas palavras repetidas). O resultado está aí, jovem Caetano.

    Tenho vários textos que passarão por uma reformulação de minha parte, antes de serem aqui publicados.

    Quanto à escrever um livro... Acho muito cedo para tal coisa.^^ Ainda assim agradeço muito por tal elogio, humildemente.


    Até mais!

    ResponderExcluir
  3. Eu acho que toda escrita é válida e que os brasileiros deveriam exercitá-la mais vezes, então de antemão já quero parabenizar por incluir esta seção ao site.
    Quanto a crônica, não acho interessante eu falar "você deveria ter feito assim ou ter feito assado", analisando-a como se eu fosse melhor escritora ou uma editora, por isso não leve tanto em consideração aqueles que ficam querendo te moldar do jeito deles. Talvez seja bom em certo ponto, mas acho que quebra a liberdade do autor em escrever sem amarras, sem pensar muito, sem ficar usando fórmulas para agradar uma maioria.
    Agora minha opinião sobre a crônica: sinceramente, não é meu tipo de leitura, não sou seu público-alvo, porque esse tipo de narrativa raramente me interessa.
    Me incomodei um pouco com o estilo e não sei se era a intenção do autor fazer com que seu personagem falasse daquele jeito ou se é assim que o autor escreve.
    E um conselho sobre o penúltimo parágrafo: cuidado com repetição. Você escreveu "o mesmo" um próximo do outro. Seria legal escolher outro termo e usar "o mesmo" só uma vez.
    Essa é só a minha opinião, eu tenho um gosto diferente e isso não quer dizer que você não fez um trabalho fantástico, por favor, não confunda as coisas. A história é interessante e amo quando existe citação de ruas e ambientes de uma cidade brasileira.
    Seria muito bom continuar com os Devaneios Mentais, se assim for a sua vontade, porque escrever faz bem para tudo: corpo, alma, coração. E mais uma vez, parabéns!

    ResponderExcluir
  4. Saudações

    Agradeço pelas suas palavras, Kimono Vermelho.

    Por partes...

    Não te preocupes, pois ninguém está a me moldar e, de antemão, não permitirei isto. O que ocorre, isso é digno o bastante de se citar, é que fui encorajado a buscar este algo que há tempos não se desenvolvia mais em minha mente, algo apagado e preso.

    Pelo que posso notar, esta pessoa sabe que a conversa que tivemos foi extremamente benéfica para ambos neste sentido tanto que, agora, estou recebendo tais palavras neste blog que, há pouco tempo atrás, planejava fechar por falta de temática/uso. E ajudarei esta pessoa no que me for possível, isto é uma certeza.

    Quanto ao texto, sinto falta das pessoas falarem das cidades onde vivem, dos bairros, da comunidade, do próprio País. Inspirei-me nisso e em outras coisas. Nesta crônica, eu fui o personagem e os acontecimentos aqui narrados expressam uma verdade de ideias, mas não que as coisas tenham ocorrido necessariamente desta forma. Um tipo de realidade misturada à ficção...

    Quanto à repetição de palavras: tenho que tomar um imenso e cauteloso cuidado com isso. É o meu maior ponto fraco. Leituras e estudo me ajudaram no processo de diminuição e, quem sabe, eliminação deste problema.

    Agradeço muito à tais palavras de encorajamento e às críticas altamente construtivas sobre esta crônica. Esta seção será permanente neste blog e, em breve, outros tipos de textos (incluindo contos, poesias e afins) tomarão parte da mesma. Convido-lhe à prestigiar, se assim desejares fazê-lo.^^

    Uma vez mais, agradecido.


    Até mais!

    ResponderExcluir

Deixe aqui sua opinião sobre este texto.
Com isto, o [NETOIN! Mais!] poderá crescer e se desenvolver ainda mais.

Muito agradecido!

NETOIN! Mais!



O blog está presente desde 27 de fevereiro de 2008.

E esta é a quinta alteração de template dele, datada de
18 de outubro de 2013.

(a última foi em 16 de dezembro de 2012)

- Grato pela visita -



Blog sobre assuntos diversos - Favor não copiar os textos do blog sem antes entrar em contato com o dono do mesmo.
NETOIN! Mais! 2008-2014